Você tem certeza que é BI-RADS 3 ?

No intuito de esclarecer, eliminar dúvidas a ajudar na conclusão de diagnósticos, apresentamos a seguir, no formato de perguntas e respostas, os principais questionamentos sobre a categoria 3 do BI-RADS.
Esta categoria é a que apresenta maior número de dúvidas, tanto por parte do radiologista, quanto do clínico e do cirurgião. Destaca a dra. Selma de Pace Bauab, diretora da Clinica MamaImagem, de São José do Rio Preto, a importância de uma análise cuidadosa dos pontos abordados e dos questionamentos propostos.
Os interessados podem sugerir novas consultas que serão respondidas oportunamente.

MamaImagem - Quando se pode dizer que a imagem descrita na mamografia pode ser enquadrada na categoria 3 do BI-RADS ?
Dra. Selma Bauab - Somente depois da avaliação completa da imagem:
a) se for um nódulo, este não deve ser palpável e não deve ter calcificações, sendo que só podemos dizer que é categoria 3 depois de termos feito a ultra-sonografia e constatado que o nódulo é sólido, ovóide, com margens
circunscritas ou com no máximo três lobulações e com ecotextura homogênea.
b) pode ser necessária também a avaliação mamográfica complementar com radiografias com compressão seletiva para avaliação das margens.
c) normalmente existe uma correlação entre os achados da mamografia e da ultra-sonografia na avaliação das margens do nódulo.
Se houver discrepância, sempre categorizar pelo achado mais suspeito.
d) se o achado representar microcalcificações agrupadas, antes de se caracterizar como BI-RADS 3, devem ser feitas radiografias com compressão seletiva ampliada nas incidências craniocaudal e mediolateral a 90 graus..
Nesta categoria, as calcificações têm que ser redondas ou ovais, podendo ser do mesmo tamanho ou de tamanhos diferentes.
e) e o achado representar assimetria focal, tem que ser feita a compressão seletiva, mostrando que a mesma se torna menos evidente com a compressão. A avaliação ecográfica desta imagem deve corresponder a área ecogênica
de tamanho semelhante à da assimetria focal. Se houver distorção arquitetural associada à assimetria focal, não é categoria 3.
MamaImagem - Por que se erra tanto na categorização do BI-RADS 3 ?
Dra. Selma Bauab- Porque se costuma utilizar uma abordagem intuitiva e, na verdade, devemos usar critérios rigorosos para definir a lesão nesta categoria.
MamaImagem - Qual a freqüência de lesões esperadas na categoria 3, nos diversos métodos de imagem utilizados ?
Dra. Selma Bauab- Na mamografia, já está bem estabelecida a porcentagem de lesões nesta categoria, ou seja, menos de 5% (1,2 a 9,8%), portanto, em 10 000 mamografias espera-se que apenas cerca de 120 sejam BI-RADS 3.
Na ultra-sonografia esta porcentagem é maior. No ultra-som há muitos achados incidentais de lesões sólidas circunscritas ou de imagens hipoecóicas circunscritas. Aqui é importante lembrar que a lesão, para ser enquadrada nesta categoria no ultra-som, tem que apresentar margens regulares tanto no corte transversal
quanto no longitudinal, no radial e no anti-radial, sem apresentar angulações ou microlobulações.
Em nossa casuística obtivemos, em uma amostragem de um período de dois meses, cerca de 14% de lesões nesta categoria, não havendo ainda, trabalhos na literatura mostrando qual a freqüência esperada, por este método.
Na ressonância magnética, Liberman & Morris encontraram 24%. Destas, 10% representavam lesões malignas e mais da metade era carcinoma ductal “in situ”, só detectado pela ressonância magnética.
MamaImagem - Quando a lesão é palpável mas tem características de BI-RADS 3, o que fazer ?
Dra. Selma Bauab - Alguns trabalhos já mostraram que estas lesões podem ser acompanhadas, como as não palpáveis. Entretanto, ainda não há base científica para esta afirmação. As lesões palpáveis devem ser avaliadas com base em critérios clínicos e de imagem para, só então, se definir a conduta, que geralmente envolve o diagnóstico tríplice: palpação, exames por imagem e cito ou histologia.
MamaImagem - Quando se trata de um achado novo em relação ao exame anterior, pode ser BI-RADS 3 ?
Dra. Selma Bauab - Não. A classificação BI-RADS 3 pressupõe que não haja exame anterior para comparação (a não ser que já seja um exame de seguimento de uma lesão nesta categoria). Se surge uma lesão nova, conforme suas características, será BI-RADS 2 ou BIRADS 4 ou BI RADS 5.
MamaImagem - O controle de uma lesão na categoria BI-RADS 3 é feito de seis em seismeses ?
Dra. Selma Bauab - Não. Apenas o primeiro controle da mama em questão é feito em seis meses. O segundo é dali a seis meses, das duas mamas (sendo 12 meses após o primeiro exame) e, os demais controles são anuais, por um período de dois a três anos. Assim, na verdade, é feita apenas uma mamografia a mais de uma
só mama, seis meses após a primeira.
Lembretes finais:
- É o tempo de seguimento que aumenta a confiança de que uma lesão provavelmente benigna (categoria 3) seja realmente benigna e não o primeiro controle em seis meses.
- O seguimento mamográfico é uma boa alternativa para a biópsia em pacientes com lesões provavelmente benignas.
- O seguimento NÃO É UM SUBSTITUTO para o estudo incompleto de um achado.
- Alguns autores, como o Dr. Lazló Tabár, acreditam que esta categoria não beneficia nem a paciente (que fica ansiosa), nem o médico (que fica em dúvida sobre qual a melhor conduta ), não devendo portanto, ser utilizada.
- Em nossa opinião, se utilizada corretamente, pode ajudar a evitar algumas biópsias desnecessárias.




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