Posicionamento Mamográfico – O que o médico e a paciente gostariam de saber

O bom posicionamento mamográfico é fundamental para detectar alterações mamárias.
Deve ser realizado por uma técnica especializada em radiologia da mama, que precisa ter consciência de sua importância.
A técnica em mamografia tem como obrigação posicionar toda a mama dentro do filme, pois, se a lesão não estiver na radiografia por mais experiente que seja o radiologista, este não conseguirá fazer o diagnóstico. Portanto, assim como a técnica em mamografia pode ajudar a salvar a vida da paciente propiciando que o médico possa fazer a detecção precoce de um câncer, pode também, realizando uma mamografia de baixa qualidade, pôr em risco a vida da mesma.
A colaboração da paciente também é indispensável para uma mamografia de qualidade.
A mulher que se submete a uma mamografia não vem ao consultório do radiologista como aquela com uma suspeita de fratura. Isto porque, na primeira situação, seu objetivo é descobrir se tem ou não um câncer de mama, e a simples possibilidade de possuir esta doença já a faz pensar em mastectomia, isto sem falar na possibilidade de morte iminente. A possibilidade da “mutilação” da mama afeta sua feminilidade, pois esta parte da anatomia feminina representa o símbolo de sua sensualidade. A carga emocional que tais mulheres apresentam no momento do exame está repleta de ansiedade e tensão, contribuindo para uma maior contração muscular, dificultando o posicionamento mamográfico e tornando a compressão mais dolorosa. Esta tensão aumenta para aquelas mulheres sintomáticas (por exemplo: nódulo palpável, mastalgia...), com história familiar positiva e quando se faz necessário a complementação do exame com uma incidência adicional.
A compressão adequada da mama é essencial para um exame confiável. Tem como finalidades:
• Fixação da mama, evitando com isso radiografias tremidas.
• Redução de sua espessura, contribuindo para redução na dose de radiação recebida, melhorando o contraste e a nitidez da imagem.
• Separação dos tecidos mamários sobrepostos, evitando assim a formação de falsas imagens, enquanto que os nódulos verdadeiros se sobressaem, tornando-se mais evidentes.
A mama deve ser comprimida até que o tecido fique uniformemente espalhado pela paciente. A técnica em mamografia precisa explicar os motivos de uma boa compressão, a fim de se conseguir uma maior cooperação da paciente. Esta deve suportar tal desconforto, que costuma durar apenas alguns segundos, uma vez que isto contribuirá para um exame de boa qualidade.
Mulheres no período pré-menstrual têm suas mamas mais sensíveis à dor, dificultando com isto, uma maior compressão. Por este motivo, sugere-se a realização da mamografia logo após a menstruação, nas mulheres férteis.
Na fase pré-menstrual, quando as mamas estão mais túrgidas, não há prejuízo no diagnóstico de qualquer lesão; porém, a partir do momento em que a dor mamária intensificada pelo período pré-menstrual, impede uma maior compressão, haverá piora da qualidade mamográfica, afetando assim o laudo médico.
São duas incidências de rotina na mamografia: craniocaudal (CC) e médiolateral oblíqua (MLO). Todas as pacientes de modo geral, acima dos 40 nos de idade, devem realizar estas incidências em cada mama anualmente. Existem ainda, várias outras incidências que o médico pode solicitar na ocasião da realização do exame. Estas radiografias adicionais são imagens mamográficas obtidas a partir de angulação ou projeção diferentes das rotineiras (CC e MLO), com o objetivo de otimizar a identificação de uma área específica para esclarecer o diagnóstico.
A necessidade de uma incidência adicional, embora aumente a ansiedade da paciente, não significa, em hipótese alguma a certeza de um câncer de mama. A paciente deve estar ciente, que tais incidências são requisitadas muitas vezes para:
• Desfazer imagens sobrepostas.
• Ampliar microcalcificações (independentes de sua natureza).
• Avaliar os contornos de uma lesão focal.
• Expor uma área densa ou próxima da parede torácica.
• Provar ou descartar a presença de uma lesão cutânea projetada no tecido mamário.
As pacientes com implantes de silicone (próteses), são avaliadas de duas formas, quando possível:
• Tracionando todo o conjunto (mama + prótese)
• Manobra de Eklund, onde a técnica empurra a prótese para trás, radiografando somente o tecido mamário. Esta manobra não costuma ser realizada: em próteses endurecidas, não compressíveis, aderidas ao parênquima mamário ou nos casos em que a manobra de deslocamento seja dolorosa.
Teoricamente, não existem riscos de ruptura da prótese na realização do exame de mamografia, em mãos experientes.
Os pacientes do sexo masculino, também realizam mamografias, mas em geral para suspeita de ginecomastia (aumento volumétrico da mama masculina por tecido fibroglandular) ou câncer de mama. O posicionamento é semelhante ao da mama feminina. Não é incomum, ao invés das incidências rotineiras, a realização de projeção caudocranial ou somente médiolateral, por se tratar de mamas muito pequenas, com boa porção do músculo peitoral radiografada.
O radiologista está autorizado a usar qualquer ângulo da unidade de mamografia e posição da paciente, que possa manter a mama em uma posição fixa, identificando os achados em questão para sua interpretação.
A arte do posicionamento mamográfico quando bem praticada, permite a detecção precoce do câncer de mama, contribuindo para a redução da mortalidade por esta doença.



Dra. Taís A. Rotoli Baldelin
Radiologista da Clínica Mama Imagem
São José do Rio Preto - SP




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