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Grande parte do avanço no tratamento do câncer mamário está diretamente ligado à figura do prof. Umberto Veronesi, do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão (foto). Graças aos seus estudos, 300 mil mulheres no mundo deixaram de ser mutiladas por ano, número de casos de câncer da mama em estágio inicial.
Até a década de 80, essas mulheres perdiam seu seio porque se pensava que a retirada total da mama (mastectomia radical) fosse a única forma segura de controlar a doença. O prof. Veronesi foi o responsável pelo desenvolvimento da cirurgia conservadora da mama, que retira apenas o tumor, mas com a mesma segurança.
Nos últimos cinco anos, ele e sua equipe estão empenhados em demonstrar, por meio de estudos controlados, que todo o tratamento radioterápico pode ser feito já no ato da cirurgia, por meio de uma técnica chamada radioterapia intra-operatória, indicada para mulheres com tumores de até três centímetros.
Em São Paulo, o prof. Umberto Veronesi visitou o Hospital Israelita Alberti Einstein e concedeu entrevista à Folha de São Paulo, da qual extraímos as informações desse texto, com o objetivo de esclarecer médicos e pacientes sobre os rumos das pesquisas e dos estudos por ele desenvolvidos, como um estimulo à prevenção e a melhor conduta.
"Nos anos 50, tínhamos 30% de chances de cura. Hoje, temos 90%. Em breve, chegaremos a 99%", diz o prof. Veronesi, que dirige o Instituto Europeu de Oncologia de Milão, um dos centros de tratamento mais prestigiados do mundo, na entrevista.
A mulher tem que buscar o tratamento
Hoje temos instrumentos muito bons de diagnóstico e tratamento, como a mamografia digital, o ultra-som de última geração e a ressonância magnética. Mas tudo isso não tem significado se a mulher não vem buscar tratamento. O principal problema hoje é de comunicação".
E, prossegue o prof. Veronesi: "Os médicos precisam convencer as mulheres que, para combater essa doença, elas devem fazer um pequeno sacrifício. Dos 30 aos 40 anos, uma vez ao ano, devem procurar o médico, fazer exame clínico, com uma ecografia ou uma ultra-sonografia. A partir dos 40, uma mamografia. Trinta anos atrás, eu inventei a cirurgia conservadora e conseguimos eliminar o risco da mastectomia. Há oito ou nove anos, investimos na biópsia do linfonodo sentinela para decidir se é justo ou não retirar todos os nódulos linfáticos. Há cinco anos estamos tentando um novo caminho para evitar as dolorosas seis ou sete semanas de radioterapia. Trata-se da radioterapia intra-operatória, feita durante a cirurgia. Isso é revolucionário. Ninguém esperava que bastasse uma única aplicação para resolver o problema da radioterapia depois de uma cirurgia conservadora. Até então, pensava-se que radioterapia só fosse eficaz em pequenas doses, todos os dias, por pelo menos um mês e meio. Essa invenção é uma mudança total de postura".
“O câncer de mama deixará de matar, exceto em pouquíssimas exceções. Vai acontecer como ocorre hoje com o câncer uterino, enfatiza o professor. Nos anos 50, o câncer mais mortal era o câncer do colo de útero. Com o exame de Papanicolaou, esse câncer pode ser curado em 100% dos casos. Naturalmente, isso só vai acontecer se a mulher fizer o exame preventivo. Se a mulher não faz o Papanicolaou, não há o que fazer. Se a mulher não faz mamografia, não há o que fazer. Se a mulher se convence da necessidade do exame e busca atendimento, reivindica na porta dos serviços públicos ou privado, a mamografia aparece. Se a comunidade onde vive essa mulher reivindica esse direito, a medicina privada ou o governo terá de atender. Mas se a mulher fica fechada em casa, sente o nódulo e não procura atendimento, fica difícil”.
Para o prof. Veronesi, hoje já é possível realizar o tratamento num curto espaço de tempo. Em duas horas de cirurgia, colhe-se o tumor, o linfonodo sentinela, faz a radioterapia intra-operatória e, se tudo estiver bem, no dia seguinte a mulher já está em casa. Na Itália, em que 60% das mulheres têm o câncer da mama diagnosticado precocemente, muitas já estão sendo tratadas assim. Mas ainda existe a limitação de centros que fazem a radioterapia intra-operatória.
Finalizando, destacou a importância do alto exame, mesmo reconhecendo que ele não vai evitar o câncer. "É muito importante que a mulher supere o pavor de apalpar a mama. Na Europa, de 50% a 60% dos tumores são descobertos pelas mulheres. É claro que, para tumores muito pequenos, a detecção só será possível com o uso da mamografia". (Fonte- Folha de Spaulo – texto de Claudia Colucci). |